domingo, 6 de fevereiro de 2011

Sobre a falta que me faz


Filha, 


Hoje vim aqui para te falar sobre uma pessoa, que infelizmente, você nunca irá conhecer e as vezes, nem eu mesmo sei se a conheci.
A sua avó Arlete.
Sabe filha, não tem como falar dela sem falar da minha infância, e como me lembro de poucas coisas que fizemos juntas. Me lembro dos churrascos em casa, dela cantando uma música sobre Uirapuru enquanto amarrava meu cabelo para eu ir a escola, lembro da nossa piscina improvisada, das tardes de sábado na casa da minha avó e da briga dela com o seu avô antes dela falecer.
Mas sabe filha, quando ela faleceu comigo sozinha em casa, apesar do desespero inicial, não senti a falta dela. Sinto, agora nesses ultimos anos. Mas com 11 anos, não fez diferença na minha vida. 
Parece absurdo, mas eu convivia tão pouco com ela, ela trabalhava muito, para nos proporcionar conforto. Mas filha, hoje penso, até onde o conforto é mais importante do que a presença ?
Sempre fui criada com babá, empregada de casa, e meu pai (seu avô) sempre fui apegada muito a ele. 



Filha, sua avó sabia que não estaria aqui para sempre comigo, me ensinou a cozinhar o suficiente para não passar fome, e alguns bons conselhos, mas será que foi o suficiente?
 As vezes, acho que me lembro mais do que a Vita ( uma das babás/empregadas que ja tivemos) me ensinou mais, e tenho mais lembranças dela aqui comigo. As vezes acho que minha avó foi mais minha mãe do que qualquer pessoa. E claro, o meu pai, que foi pãe, e me ensina sempre!

E sabe, eu fui criada pelos outros, por mais que minha mãe fosse um pouco contra isso tudo. Ela me ensinou coisas valiosas, me educou, mas passou a responsabilidade para outras pessoas pelo motivo de trabalhar muito, e depois que ela faleceu, eu me senti completamente sozinha e me sinto assim hoje, porque é horrivel, é como se eu nunca tivesse tido uma mãe.

Parece exagero, mas com o passar dos anos , e já faz quase 10 anos, eu já estou me esquecendo dela. Sinto falta, mas não me lembro mais de sua voz, nem do seu perfume, e tenho de me esforçar para lembrar da fisionomia.


E filha, criamos os filhos para o mundo e minha mãe me criou desde cedo assim. Porém, você é sim minha responsabilidade, talvez não só minha responsabilidade, mas eu não abro mão de ter você comigo enquanto posso, tenho os meus motivos. 


Sua avó Cida e sua Tia Marlene me ajudam muito, ficam quando eu tenho médico, ou resolver algo aonde não tem como você ir comigo, e para cuidar da casa uma vez por semana. Mas filha, não quero te por horas e horas em uma creche, sem você entender o que se passa ali, simplesmente para voltar a trabalhar fora. Sendo que, posso esperar mais alguns meses....
Abri mão de tantas coisas por isso, e não me arrependo. 
Porque filha, Por você eu faria mil vezes se fosse necessário....
Te amo!






5 comentários:

Kariny - Mamãe Cristã disse...

oi amada, primeira vez aqui no blog e chego com um post desse, emocionante. eu perdi minha mãe qdo eu tinha 14 anos, e tb estava sozinha com ela em casa qdo ela faleceu.. ela foi muito atenciosa comigo, me dava muito carinho e amor, mas ela tinha depressão e com o passar do tempo começou a 'surtar'. hoje, o tempo passou, faz 7 anos que ela faleceu, e começa a ficar mais dificil lembrar dela sabia, é estranho.. mas são coisas que o tempo faz. beijoss.

Maria Betânia Fuller disse...

Oi Kira, o que dizer? é emocionante sim, mas também tão forte, sei bem o que é se sentir só ao redor de pessoas que deveriam ser nosso porto seguro, não de segurança do conforto e sim de carinho. é também triste? é sim e muito. Mas além de tudo ao ler seu post tenho certeza que qualquer pessoa pára e analisa a vida, e espero que muitas se tornem mais conscientes de seus atos. Beijos amiga.

Kariny - Mamãe Cristã disse...

oi.. obrigada por retribuir meu comentário, xerinho.. já estou te seguindo ok, bjks no coração

Cláudia Leite disse...

Oi Kira,

Cheguei aqui através do cantinho do Rei Arthur (marisa).
Refleti muito sobre teu post, estou numa grande dúvida e estas reflexões nos ajudam a pensar....
Odorei seu blog, seu layout...

Grande bjo, pra vc e Beatriz!

Juliana disse...

Oi Kira! Emocionante o seu relato! É a primeira vez que venho e já estou seguidora! Escolhi ficar com meu filho até os 2 anos e só enão trabalhar...as pessoas todas me dizem que passa tão rápido, e acho tão importante a presença da mãe para dar a segurança necessária nesse comecinho de vida. Às vezes fico me perguntando: será que têm mães como eu hoje em dia? Que ficam em casa com os filhos, que cuidam da casa e que sabem que esse tempo não volta e podemos trabalhar quando eles estiverem seguros da vida? Adorei te ler! Obrigada! Adoraria te ver no meu blog! www.blognossosfilhos.blogspot.com
Um beijo, Juliana