terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sobre uma pessoa não consumista.

Eu tenho muita sorte por não ser uma pessoa consumista, em partes porque eu não sei lidar muito bem com dinheiro, outra por justamente não saber lidar com dinheiro já me enfiei em dívidas enormes com apenas 21 anos e se eu fosse consumista estaria no mínimo frustrada.
E depois de muitos anos me ferrando muito eu aprendi o que era o tal consumo consciente.
O que isso tem a ver com a Beatriz?
Lembro que na minha gravidez eu fui mordida pelo bichinho do consumo, é foi bem gostoso pois apesar de tudo, depois de tudo que eu tinha passado, eu consegui ter equilíbrio.
Porque é fato que quando estamos grávida - algumas pessoas não precisam disso - queremos comprar tudo, tudo é lindo, tudo é útil. Mas eu tive a noção de que as coisas não era bem assim.
O enxoval da Beatriz foi gasto exatamente R$80 reais em roupinhas. Seriam roupinhas que a Beatriz pouco usaria já que bebês crescem absurdamente rápidos e perdem roupa demais, e variadas.
Comprei sim muitas coisas que não tiveram utilidade alguma só porque era bonito, ou por achar que era útil.
Berço, cômoda, carrinho, e essas coisas eu ganhei tudo. Não porque eu precisava, mas entre eu gastar R$400 reais em um berço, e usar o que meu sobrinho tinha acabado de deixar praticamente novo eu preferi economizar esse dinheiro. Ganhei coisas tanto de segunda mão quanto novas, sempre de pessoas queridas, de vontade própria e bem intencionadas.

O que me fez ter uma visão mais consciente do uso do dinheiro e do consumo foi o fato de eu ganhar muito dinheiro com pouca idade e não saber administrar isso. Com 16 anos eu ganhava muitos salários mínimos, e uma pessoa com 16 anos não sabe administrar isso de forma alguma. E eu fui burra, idiota, e muito ignorante por não deixar pessoas com mais experiencia financeira me ajudar, no caso, meu pai.
Deixei de comprar um carro, deixei de comprar um terreno, e todos esses vários salários mínimos ia para: livros, cerveja, eletrônicos, baladas e coisas que hoje pouco acrescentam na minha vida.

Por sorte indiretamente tive uma educação financeira boa, na base do exemplo. Meu pai apesar de um consumista descarado, sempre soube administrar bem as coisas. Fomos criados (eu e o meu irmão ) com pouco mesmo tendo muito.
Nossa renda familiar em 97/98 era de 5 mil reais por mês e mais um pouquinho, e isso nessa época era muito. Tínhamos conforto, tínhamos só do melhor, meu pai trocava de carro sempre (comprando a vista), casa própria, fazíamos várias viagens todos os anos, tínhamos empregada e babá.  Meu irmão teve seu primeiro carro com 18 anos comprado com o dinheiro dele, e minha mãe sempre nos ensinou que a melhor coisa era trabalhar desde cedo precisando ou não.
E trabalhar gente, não é vergonhoso.
E mesmo com toda essa renda eu estudei em escola publica quase a vida toda, me incentivaram a prestar uma Universidade Federal, usei/uso SUS, tive convênio.
E levamos essa renda e um pouco mais até por volta de 2001, que foi quando as coisas mudaram um pouco, precisamos economizar e por sorte sabíamos muito bem nos virar com pouco, tínhamos um tanto de dinheiro guardado para justamente em meio a crise não faltar.
E eu digo, eu gosto de dinheiro. Quem me conhece de perto sabe disso. E eu gosto de guardar dinheiro, e eu aprendi a guardar e investir. Aprendi - depois de me enfiar em dividas, gastar dinheiro com merda, me endividar com 4 cartões de crédito -  a gastar meu dinheiro com aquilo que valha a pena.
Isso é o que eu acredito, é a minha ideologia, é o que eu quero passar para a MINHA FILHA.

Hoje não trabalho fora por escolha minha, mas isso não significa que eu não trabalho. Eu trabalho em casa tenho a minha renda, e sei me virar com pouco. Nunca tive necessidade de comprar algo para mostrar para alguém que posso comprar aquele algo, compro porque gosto e principalmente porque vale a pena.
Avalio sempre o custo x benefício, se não há uma outra opção, se vale a pena, se será útil.

Essa é a minha forma de viver, e isso incomoda os outros. Por eu não ser consumista. Por eu não ver necessidade de comprar um penico de R$200 reais para a minha filha sendo que ela pode cagar em um mais barato.

Sim dou sempre o melhor para a minha vida, mas o melhor nem sempre é o mais caro.
Beatriz já teve convênio e desistimos porque tem um hospital SUS ótimo perto da gente que atendia milhões de vezes melhor do que o convênio. Beatriz estudará em creche publica sim pois não vejo necessidade em pagar por recreação, confio muito mais no publico que é obrigatório ser concursado e ter capacidade para exercer a função. E sim a Beatriz estudará em escola particular pois faço questão, a partir do Ensino Fundamental.
Invisto em coisas interessantes e que acrescentaram em algo na vida dela como livros, uma poupança e o
financiamento de um apartamento no nome dela.

Já passamos por momentos ruins financeiramente, de ter de comprar remédios caríssimos para o meu pai e desfalcar nas contas, mas nunca faltou nada para a Beatriz, nunca ficamos sem chão justamente por saber lidar com pouco.
Esse é o nosso certo.

Não acho isso vergonhoso, não acho isso "pobre", acho que isso é ser esperto, é ser inteligente e saber administrar bem o dinheiro que se ganha seja como for. Saber que, um brinquedo caro - muitas vezes para compensar uma ausência - não educará minha filha, não irá acrescentar muitas coisas boas na vida dela.


Até porque acho completamente bobagem comprar uma roupa cara para uma criança já que criança perde roupa rapidamente, acho desperdício, desnecessário.
Brinquedos educativos é um bom investimento, livros é algo que não ligo para o preço.

E é assim que levamos a nossa vida, e isso incomoda muita gente. Talvez por eu não precisar trabalhar fora, por trabalhar em casa sem muito esforço e mesmo assim conseguir me bancar. Talvez por ter casa própria (mais de uma!) que mesmo sendo simples é minha, ta quitada há anos. Talvez porque por mais que meu pai seja aposentado ele faça questão de colocar dinheiro em casa, já que ele come, bebe, toma banho aqui, e tem as contas dele a pagar.
Talvez seja incomodo ver uma pessoa viver BEM, feliz e realizada fazendo algo que seja o oposto do que você faz.

E eu fico feliz de saber que sim eu estou indo pelo caminho certo, Beatriz é uma criança feliz, esperta, saudável,  tem muitos brinquedos, muitas roupas e nunca faltou nada para ela.
Porque o bom é ter certeza das escolhas que se fez, é agir de acordo com isso, é não ter vergonha das escolhas e opiniões e não precisar mostrar a cara para defender o que acredita.

Nota: As coisas desandaram a partir do momento em que minha mãe faleceu em 2001. Em 2006 eu tinha 16 anos, ganhava 2 mil por mês sem ter muitos esforços e foi ai que me endividei, pois com essa idade não sabia usar dinheiro, e só bebia, saia, e gastava com eletrônicos.
Enfim.
Beijos

9 comentários:

Déia Musso disse...

Gosto demais como escreve.

Esse tal de "coisa de pobre' é no mínimo xenofóbico, e acima de tudo tua filha aprederá a ser gente.

Isso o dinheiro não compra.

Parabéns. Pelo caráter, pelo post, pela visão de mundo.

bzo

Anônimo disse...

Concordo com voCê em vários pontos, mais acho que deveria parar de criticar que não tem a mesma filosofia de vida que vc.Cada um faz com seu dh oque quiser.Ficar desmerecendo uma mãe porque ela trabalha fora ou compra brinquedos caros não é legal né
As vezes seus comentários soam como invejosos.

Isabela Kanupp (Kira!) disse...

Anonimo, eu não critico eu exponho a minha opinião não pode?Até onde eu saiba eu tenho completa liberdade para isso.
E se as pessoas não gostam, porque fazem o mesmo?
Tem que ver isso ai né?

Inveja a gente tem daquilo que a gente não pode ter, porque dinheiro compra muita coisa e se eu quiser algo eu compro. Agora, carater, opinião, identidade própria, é mais complicado né?

Beijos

Devaneios de Mulher disse...

Tinha feito um comentário monstro de grande e perdi tudo. Mas, como gostei do post e gosto de ti, vamos lá! Também sou consciente e não consumista. Aliás, fui criada nesta filosofia muito antes do "sustentável".Meu pai sempre trabalhou duro para dar o melhor para os filhos, e , o melhor nunca foi o mais caro, diga-se de passagem. Nunca tive video game, bicicleta ganhei a primeira depois dos 10 anos e não faço terapia por isso!!! Acho que vivemos na sociedade de hoje, a cultura do descartável, e não é só para bens materiais não, são para faxineiras, babás e pra várias outras coisas. Sou contra, terminantemente contra este consumismo desenfreado que estamos vivendo, temos que ver os americanos e ver a situação que eles estão, já li artigos sobre o endividamento atual do brasileiro, que está no padrão da dos americanos há dez anos atrás. O resultado tá aí! Bem, se estou certa não sei, só sei que minhas filhas nunca tiveram um brinquedo da Chico e não são infelizes por isso. A Isa tá na creche da prefeitura e a anna estuda na rede Sesi, que apesar de paga, é um preço bom! Se estou certa não sei, a única coisa que sei é que não tenho dívida em cart~es de crédito, compro tudo a vista e acabo de quitar meu imóvel. Detalhe, tenho 34 anos e tenho dois imóveis me meu nome. Saio com as meninas para passear, odeio leva-las ao shopping. Nossos passeios prediletos são os que envolvem ar puro, piscina e gincanas.Postei no face estes dias, sobre o tal juízo de valor por ser o que tem e não pelo que é. Em casa meu bem, não mesmo!!!

Beijo

Evelyn_mãe_da Sofia disse...

Olha vc escreve muito bem e dificilmente eu discordo de alguma coisa. Esse post foi maravilhoso e nada invejoso. Eu entendi perfeitamente o q vc quis dizer. Mas que tá um guerra nesse mundo de blog...mães querendo ser melhores umas que as outras...por isso que fechei meu blog, mas continue assim, v está ótima! bjs. Sua filha é linda!!

Suellen disse...

tenho que contar que tbm atóron dinheiro, mas não tenho, hahaha!
assim como vc, optei por cuidar da duda 24hr, e a opção se estenderá para o dudu, que nascerá em fevereiro, enfim, tentei por vezes ganhar algum dinheiro trabalhando em casa, vendi catálogos e tal, mas não deu certo, a gente ainda mora de aluguel (nossa casa está com prazo para ser entregue mês 03 de 2012 e custará bem menos mensalmente) até lá pagaremos cerca de 150 reais a mais de aluguel e isso é muito, muito mesmo!
tbm optei por berço de segunda mão, tbm aceitei e aceito roupinhas usadas (e novas, pq não?) e tbm acho que viver bem não é pagar muito, nunca.
creio eu que seu post seja mais um balanço pra si própria, mas servirá para muitas que não conseguem viver com pouco, que acham que precisam de mais sempre, e não falo só de dinheiro não, tem gente que não vive bem com poucos amigos, poucas roupas, pouca atenção... enfim!
vc está no caminho certo! sua filha será um adulto justo e honesto!

Amanda Lima disse...

Apoiada! Principalmente a parte da creche, também coloquei a Gabi em uma da prefeitura e AMO, não troco por nenhuma que cobre 800 reais por mês.
Não pago nada, ela tem nutricionista, pediatra e fono, além da lista de materiais custar tipo uns 40 reais pro ano todo!
Eu trabalho desde os 14 anos e sempre dei muito valor ao dinheiro. Quando morava com meus pais era tranquilão, viagens direto, ia só em restaurantes bacanas e talz. Aí sai de casa pra morar com namorido e não tinha mais, pq nós ganhamos pouco (por pouco tempo, hehe).
Mas sabe, esses dias tava pensando nisso, algumas amigas que tinham muito mais que eu terminaram a facul e tão lá, fazendo nada da vida.
Eu termino final do ano, mas já to trabalhando na area, com proposta de melhorar depois da formatura, e sou a que seguiu o 'mau caminho' de engravidar com 19 anos e sem dinheiro né?
Dificil...
E outra coisa, educação financeira nessas crianças djá! Gabi sabe que presente é em data especial e que a gente tem que trabalhar pra ter dinheiro. Não vou criar uma alienadinha.
Beejoo

Marilia Mercer disse...

Uma vez uma pessoa achou um absurdo o meu filho na época com 7 anos perguntar o preço da pipoca no cinema antes de comprar.
Ele sempre foi ensinado o valor das coisas e não só o monetário.

Acho que o caminho é esse, consumir o que pode e com consciência. Tem dado certo aqui.

BjoS!

Lucila disse...

Matou a pau!!! Amei seu texto. Te admiro muito Kira!

Beijos!